“Respeito
ao massive reggae portugal”, foram estas as primeiras palavras de Prince
Wadada naquela que foi uma extraordinária noite de dub/ reggae na Galeria Zé
dos Bois em Lisboa, com a participação do residente “Dubadelic
Soundsystem”.Surgidos nos anos 50 na Jamaica (onde actualmente existem mais de
500 em actividade), os soundsystems apresentam-se como parte fundamental do
vasto universo da música reggae, quer por servirem como meio promotor dos
“riddims” mais conhecidos dentro do género musical, quer pela capacidade de
lançar grandes nomes do reggae que deram os primeiros passos da carreira a
actuar como “deejays” e “toasters” em soundsystems. Considerados
por isso, uma das grandes forças impulsionadoras do crescimento do reggae, os
soundsystems começam agora a assumir um papel de relevo na cena reggae
portuguesa (dando especialmente um grande impulso à vertente dancehall), e a
prová-lo está esta iniciativa da Journeys e da Galeria Zé dos Bois que no
passado dia 13 de Abril foi palco da 3ª sessão do “Dubadelic Vibrations”,
que começou no início deste ano (com a participação de um dos actuais
expoentes do dub, Nick Manasseh, na sessão inaugurativa) e que todos os meses
celebra as sonoridades dub/ reggae, com uma adesão e aceitação cada vez
maiores. Grandes responsáveis pelo
crescente sucesso deste evento são com certeza os elementos constituintes do
“Dubadelic Soundsystem”.
A aproximarem-se de um ano de existência este
colectivo lisboeta, formado por executantes de diferentes estilos - Selecta Lexo,
presença habitual nas festas da Voz do Operário; Mike Stellar, Spaceboys; João
Gomes, dos Cool Hipnose; Jahdub, freelancer nas sonoridades dub e o inconfundível
ragga dancehall Prince Wadada no papel de toaster, conhecido pelas suas colaborações
com os Kussondulola e mais recentemente, no projecto “Linha da frente”-
apresenta-se um soundsystem ao estilo jamaicano, caracterizado pela extraordinária
complementaridade entre os seus membros, que tem espalhado as vibrações
positivas do dub reggae/dancehall por Portugal, com participação em vários
eventos de entre os quais podemos destacar o Festival Dubtronic, o ano passado
no Porto. Num espaço praticamente
perfeito para este género de iniciativa, a noite na Galeria Zé dos Bois começou
com Mike Stellar no som acompanhado por João Gomes e uma sempre curiosa melódica
(ao bom estilo do Melodica King, Augustus Pablo) a animarem um ambiente algo
morno que, após a entrada de Prince Wadada
em cena e com a surpreendente e súbita
enchente de público, rapidamente aqueceu para durante cerca de quatro horas e
meia, literalmente “agarrar” todos os presentes aos mais diferentes “roots
rasta reggae riddims”. Com grande parte
dos elementos a passarem pelo papel de “selectors”, sempre acompanhados pelo
poderoso ragga do incansável Wadada, os presentes puderem vislumbrar-se com uma
excelente sequência de temas que variaram desde o clássico “roots” de
nomes como Bob Marley ou Black Uhuru, até ritmos do contemporâneo dancehall de
Sizzla e Buju Banton. Enquanto ao lado do
palco, um ecrã projectava atraentes e psicadélicas imagens de promoção do
“Dubadelic Soundsystem” e João Gomes continuava as suas experimentações
com a melodica, o MC Wadada com uma excelente e energética presença em palco,
captava a atenção do público, pedindo “rewinds”
aos
selectors, dançando
e interpretando temas originais como “Taxi para África” ou um “Legaliza
sensimilla” ragga. Houve ainda lugar ao
original de Dawn Penn “You don´t love me(no,no,no)” interpretado a meias
por Wadada e pelo próprio público, que “explodiu” aquando do extraordinário
“Jah Jah city” de Capleton, sem dúvida o momento mais alto de uma noite que
fechou em grande, como não poderia deixar de ser, com o rei Bob Marley e o clássico
“Small Axe”. Em suma,
foi mais uma demonstração da grande força dos soundsystems dentro do
movimento reggae, da crescente aceitação do “dancehall” no panorama
musical do nosso país e da versatilidade de um colectivo nacional que tem
certamente ainda muito mais para dar a todo o massive português. Aguardem!
Artigo and photos by Ricardo Duarte.
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